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Diminui peso da indústria na receita da União

Por Marta Watanabe | De São Paulo

30/01/2011

Houve mudança significativa dos setores que financiam o aumento de arrecadação do governo federal. Com a desaceleração de produção, a indústria de transformação contribuiu menos para a elevação da arrecadação do Imposto de Renda (IR) das empresas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

Os dois tributos ajudaram a puxar o recolhimento da Receita Federal em 2011, que teve alta real de 10,1% na comparação com o ano anterior. No mesmo período, o IR das empresas e a CSLL tiveram, juntos, crescimento de 12,82%. Os valores foram atualizados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Entre os dez setores de atividade que mais influenciaram no aumento de arrecadação dos dois tributos no ano passado, há apenas um setor industrial: a fabricação de alimentos, com participação de 2,99% na elevação do IR das empresas e da CSLL. Puxada pelo bom desempenho das exportações, a extração de minerais foi o setor que mais contribuiu com o aumento, com participação de 37,06%. Juntos, o comércio atacadista e o varejista ficaram com fatia de 13,74%.

  

 

A atual classificação dos setores que mais contribuíram com a elevação de arrecadação dos dois tributos representa uma mudança. Em 2008, antes da crise financeira detonada pela quebra do banco americano Lehman Brothers ter maior efeito na economia brasileira, o recolhimento de tributos pela Receita também foi puxado pela arrecadação de IR e CSLL. Em 2008, o recolhimento total da Receita aumentou em 6,81% reais em relação ao ano anterior. No mesmo período, o IR e a CSLL cresceram 14,72% e 20,73%, respectivamente.

Ao contrário do ano passado, porém, em 2008 a indústria de transformação teve participação entre os setores que mais contribuíram para o aumento de arrecadação dos dois tributos. Na arrecadação de 2008, havia três setores industriais entre os dez segmentos com maior fatia na variação do IR das empresas e da CSLL. Juntos, os segmentos de fabricação de veículos automotores, metalurgia e a indústria química contribuíram com 14,26% da elevação na arrecadação dos dois tributos.

Em 2008, o setor que teve maior participação no crescimento dos dois tributos foi o de combustíveis, com 16,25%. O comércio já estava presente entre os segmentos que mais cresceram, por meio do setor atacadista, com participação de 9,01%. O comércio varejista ainda não havia entrado entre os dez segmentos mais importantes para aumentar a arrecadação do IR das empresas e da CSLL.

Amir Khair, especialista em contas públicas, acredita que a estrutura dos segmentos que financiaram o crescimento do recolhimento federal reflete a desaceleração da produção industrial, principalmente no segundo semestre. Isso, diz, explica a ausência de setores da indústria de transformação entre aqueles que mais contribuíram para a elevação da arrecadação de IR e CSLL.

Apesar da freada do crescimento da indústria, o comércio acabou mantendo fôlego maior e entrando entre os que sustentaram a elevação de arrecadação. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção física da indústria do país cresceu apenas 0,43% de janeiro a novembro do ano passado, na comparação com os mesmos meses de 2010. No mesmo período houve elevação de 6,65% no volume de vendas do comércio.

O consultor Everardo Maciel, ex-secretário da Receita Federal, acredita que a evolução da arrecadação pode refletir a elevação da importação e os indícios de desindustrialização que passaram a ser discutidos nos últimos meses. A importação, segundo economistas, ajuda a explicar o crescimento mais acelerado no volume de vendas do comércio em relação ao da produção física industrial.

“As commodities, em razão das exportações, provocaram aceleração maior em alguns setores”, diz Khair. A elevação dos valores de vendas ao exterior de produtos básicos acabaram se refletindo também na arrecadação dos dois tributos. Além do segmento de extração de minerais metálicos, que liderou o aumento de recolhimento do IR e da CSLL em 2011, a extração de petróleo e gás também teve lugar entre os dez setores mais importantes, com participação de 3,24% no crescimento de arrecadação dos dois tributos.

O minério de ferro e o petróleo foram os dois produtos mais exportados pelo Brasil em 2011. Puxados pelo aumento de preço que beneficiou as commodities de forma generalizada, a venda ao exterior de minério de ferro cresceu 44,64% no ano passado em relação a 2010. A exportação de petróleo aumentou 33,76%.

Há, setores, porém, que se mantiveram desde 2008 entre os que mais contribuíram para a elevação da arrecadação. Atividades ligadas ao setor financeiro tiveram fatia importante tanto no ano passado como há três anos. Em São Paulo, segundo dados da superintendência regional no Estado, o setor financeiro é responsável por 17,7% da arrecadação total de tributos federais e arrecadou no ano passado R$ 66,78 bilhões, o que significa alta real de 31,6% em relação ao ano anterior.

Fábio K. Ejchel, superintendente-adjunto da 8ª Região Fiscal, diz que o desempenho do setor financeiro e o programa de parcelamentos da Lei nº 11.941 ajudaram a alavancar a arrecadação do Estado, que aumentou de 39,32% para 40,16% a participação no recolhimento total do governo federal.

A mudança na estrutura de financiamento da arrecadação não se restringiu ao IR e à CSLL. A recente desaceleração no ritmo de produção fez a indústria de transformação também passar a contribuir com uma fatia menor no bolo total de recolhimento da contribuição previdenciária. Com base de cálculo predominante sobre folha de salários, o tributo representa um quarto da arrecadação da Receita Federal.

Em 2011, a indústria de transformação contribuiu com 22,66% do recolhimento da contribuição previdenciária. Em 2008, a fatia era de 24,76%. Houve, nesse intervalo, avanço da construção civil, que saiu de 6,98% em 2008 para 8,38%.

Embora com participação pequena, a indústria de extração mineral chama a atenção por ter ido em sentido contrário à indústria de transformação, saindo de 1,14% para 1,34% nos últimos três anos. Outro setor que ganhou o espaço perdido pela indústria de manufaturados foi o de serviços, cuja participação na arrecadação da contribuição cresceu de 62,93% para 63,63%.

Fonte: Valor Econômico

 
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Publicado por em 30/01/2012 em Uncategorized

 

Trabalho no Governo Lula: uma reflexão sobre a recente experiência brasileira.

RESUMO

Global Labour University Working Papers. Paper n. 9, May 2010.

Paulo Eduardo de Andrade Baltar; Anselmo Luís dos Santos; José Dari Krein; Eugenia Leone; Marcelo Weishaupt Proni; Amilton Moretto; Alexandre Gori Maia; Carlos Salas.

A finalidade do presente texto é analisar o conjunto de mudanças observadas no mundo do trabalho no Brasil, especialmente no período 2004-2008. Nesse período, ocorreu uma significativa elevação do ritmo de crescimento econômico (para cerca de 5% ao ano), que contrasta com o período anterior marcado pela introdução das políticas econômicas neoliberais no Brasil. Naquele período, cujas reduzidas taxas médias anuais de crescimento econômico (pouco acima de 2% ao ano), somadas aos impactos das abruptas alterações estruturais decorrentes, provocaram forte deterioração em diversos aspectos do mercado de trabalho brasileiro. A maior taxa de crescimento foi, portanto, um dos aspectos mais relevantes na melhoria do mercado de trabalho nacional observada antes da recente crise financeira internacional.

Assim, a seção 1 do estudo é dedicada à análise da dinâmica macroeconômica brasileira, concentrando-se na discussão sobre os principais determinantes e os reflexos do maior dinamismo da economia brasileira. A elevação do ritmo de crescimento econômico teve impactos positivos sobre o mercado de trabalho brasileiro: geração de empregos, redução da taxa de desemprego, melhoria da estrutura ocupacional e de rendimentos, aumento da proporção de ocupações sob a proteção da legislação trabalhista, e redução das enormes desigualdades de rendimentos do trabalho no País. As principais características desse processo, suas relações com o maior dinamismo econômico, e a avaliação de outros aspectos importantes para compreender a recente evolução do mercado de trabalho brasileiro são temas contemplados na seção 2.

Além do crescimento econômico, o mercado de trabalho brasileiro recebeu impactos positivos da implantação de uma política de valorização do salário mínimo, da maior fiscalização do cumprimento da legislação do trabalho, das pressões e negociações sindicais, de políticas governamentais nas áreas social e do trabalho, de mudanças institucionais, ou seja, de um conjunto importante de transformações que não estavam asseguradas como consequências imediatas do crescimento econômico, mas que foram definidas nas relações de poder e nas negociações estabelecidas entre trabalhadores, empresários e governo.

Assim, por exemplo, os importantes avanços nos programas de transferência de renda ? seja diretamente por meio do novo programa, ?Bolsa-Família?, ou por avanços no piso salarial e na extensão dos protegidos pelo sistema de aposentadoria e de benefícios continuados, garantidos pela Constituição Federal de 1988 ? não devem ser considerados como políticas diretamente direcionadas à superação de problemas do mercado de trabalho; deve-se atentar para o fato de que, juntamente com a política de salário mínimo, esses avanços foram muito importantes indiretamente para a expansão da demanda, para a geração de empregos, inclusive de melhores empregos protegidos pela legislação trabalhista nas pequenas cidades das regiões e municípios mais pobres do país.

Essas questões conformam o objeto de discussão da seção 3

Download (Paper_GLU_No_9_portuguese_trabalho_no_Governo_Lula.pdf)

Fonte: CESIT

Objeto: Pesquisa

 
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Publicado por em 26/01/2012 em Uncategorized

 

Canto da revolução

I

Corre na veia o sangue revolucionário

A luta de classes em meio à tempestade

A luta renhida com base na verdade                                                                

Juntos… sempre  juntos no seio proletário

Choques, ideologias e pensamentos reacionários

Direita, esquerda… luta armada! Confusão!

Grito de agonia! Trabalho com ação

Segue avante companheiro! Segue sem parar!

Toma consciência… coragem e vem lutar!

Vem cantando o “Canto da Revolução!”

II

“ A praça é do povo, como o céu é do condor”

Dizia Castro Alves mentor da liberdade

Viva Marx com suas formalidades…

Viva as vitórias do grande educador

Quebrando as correntes. Vai liberdade!

Leve a mensagem contra o escravismo

Alegrando as massas na organização

Gerando uma audácia em meio à formação

Nas trilhas e entranhas do socialismo.

III

Corre liberdade e voa na distância

Ampare as mudanças dos trabalhadores

Com idéias recheadas de formadores

Plantando nesse solo teu brilho fraternal

Ó mãe dos povos! Tu és sentimental!

No sonho categórico, na insurreição!

Toma seu fuzil e a constituição!

Liberta o pensamento no campo… nas pistas…

Levanta essa bandeira pregando a guerra

Firma-te ó guerreiro e planta nessa terra

A semente que germina nesse chão classista.

IV

Guerreiros de combates e corajosos

Conflitos e batalhas… mais valia… capital

Mudança, atitude ética e moral

Nos campos fraternais e até culposos

Voltemos meus amigos para a realidade

Com simples ideologias na centralidade…

Com orgulho naquilo que se vem…

É tempo de sentir o que não se sente

É tempo de quebrar todas as correntes

É hora de juntar-se a um, dois… cem.

V

Imitações se inserem no movimento sindical

No fogo político com trabalhos defendidos

Gritamos companheiros e seremos ouvidos

Nem que seja na luta radical!

Porque o pensamento segue na moral

Em lados diferentes de tempos confinados

Para sermos todos… todos respeitados!

Voltemos ao passado construindo o presente

Partindo pro futuro otimistas e contentes

Ajam reivindiquem… não fiquem calados.

VI

Disparem companheiros toda munição

Apontem no alvo do capitalismo

Lá vem a estrela do socialismo

Com foices e martelos e muita intuição

Vem rápido! Vem veloz e não faça acepção

O medo não é bom… tenha mais coragem

Tem gente… tem pessoas um exército guerrilheiro!

Seremos soberanos e mais audaciosos

Na linha de combate seremos corajosos

Amigos camaradas somos companheiros.

VII

Otimismo, liberdade grades desenvolvimentistas

Opção de vida para as melhorias

Juntando todos os mundos e categorias

Expandindo as questões mais progressistas

Rumo ao sol nascente da flâmula classista

Cavaleiros e amazonas em guarnição!

Na fumaça libertária com fogo e munição!

Vigiando os nossos campos produtivos

Enchendo todos os corações de incentivos

Neste lindo “Canto da Revolução.”

                        Autor: Poeta JOSE ANTONIO BASTO

                        Professor de Formação da CTB/MA

                        Email: jabastopoetaser@gmail.com

                               Guarulhos/São Paulo – Brasil, 20 de Janeiro de 2012

*Ofereço em primeira mão a todos (as) participantes do “IV Curso Nacional de Formação de Formadores (as) e Gestão Sindical” que aconteceu de 16 a 20 de Janeiro de 2012 em Guarulhos / SP – Brasil. Organizado pela direção do CES e CTB, nas pessoas das direções dessas duas célebres entidades construtoras do SOCIALISMO no Brasil e no Mundo.

                           Com as saudações classistas do modesto autor,

                           Uma ótima viagem a todos (as) de volta aos seus estados de origem.

Desde já muito agradecido,  

                           ( José Antonio Basto)

 
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Publicado por em 23/01/2012 em Uncategorized

 

Primeira reunião da troca da Celac no Chile

9 de Janeiro de 2012

Os ministros de relações exteriores do Chile, Cuba e da Venezuela protagonizarão nesta segunda-feira (9) em Santiago, no Chile, o primeiro encontro do trio dirigente que integram seus governos na recém constituída Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac).

A reunião será encabeçada pelo ministro de Relações Exteriores do Chile, Alfredo Moreno, que sustentará reuniões bilaterais com seus homólogos Bruno Rodríguez (Cuba) e Nicolás Maduro (Venezuela).

Ao fechamento do dia terá lugar uma coletiva de imprensa, na qual serão divulgados os resultados do encontro, como informou o ministério de relações exteriores chileno.

Histórico

A assembleia constitutiva da Celac foi realizada em dezembro passado em Caracas, com o respaldo dos mandatários dos 33 países da América Latina e Caribe.

Na ocasião, o Chile assumiu a presidência temporária do grupo, por esse motivo, corresponde a ele a realização da próxima cúpula em 2012.

Ao assumir tal responsabilidade, o chefe de Estado chileno, Sebastián Piñera, prometeu os maiores esforços de seu governo para trabalhar em forma conjunta com seus pares de Cuba e da Venezuela.

O grupo é composto pelo país que anteriormente exercia a presidência (Venezuela), o que a exerce atualmente (Chile) e o que vai liderar o grupo no próximo ano, que é Cuba.

Não temos direito a fracassar, expressou Piñera ao se fundar o Celac. Temos força, vontades e inteligência para avançar na unidade de nosso continente que é fundamental, insistiu o mandatário na cúpula fundacional da Celac na Venezuela.

Herança da Cúpula de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) e do Grupo do Rio, o novo mecanismo de integração foi estabelecido ao gestarem-se posições comuns em torno das ilhas Malvinas, segurança alimentar e nutricional, especulação financeira e preços dos alimentos.

Também em torno aos direitos humanos dos imigrantes, solidariedade com o Haiti e estratégia de segurança na América Central.

Aprovou também documentos relacionados com a Defesa da Democracia e a Ordem Constitucional, a luta contra o narcotráfico e o terrorismo, e contra o prolongado bloqueio comercial e financeiro dos Estados Unidos contra Cuba.

Para 2012, a Celac tem uma responsabilidade muito grande deverá realizar a reunião da América Latina e Caribe com a Europa, que será no Chile e isso significa 60 países representados, sublinhou neste domingo (8) o ministro chileno de relações exteriores.

Em declarações ao diário El Mercurio, Moreno comentou: “ainda que existam diferenças ideológicas entre os governos que integram o grupo dirigente, “podemos trabalhar juntos” e fortalecer a integração em temas como infra-estrutura, energia, educação e programas sociais”.

“Há milhares de coisas para beneficiar-nos mutuamente”, ressaltou.

Fonte: Prensa Latina

 
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Publicado por em 10/01/2012 em Uncategorized

 

Brasileiros encerram 2011 com otimismo em alta

05/01/2012

Índice de Expectativas das Famílias de dezembro revela maior confiança na economia do país e menor endividamento.

As famílias brasileiras chegaram ao fim de 2011 mais otimistas sobre a situação socioeconômica do país. O Índice de Expectativas das Famílias de dezembro, calculado pelo Ipea, subiu para 67,2 pontos em dezembro de 2011. No mesmo mês de 2010, ele havia fechado em 64,6 pontos. Já em novembro de 2011, o IEF havia ficado em 63,7 pontos. O índice de dezembro igualou a maior expectativa apurada na série – em janeiro de 2011, também 67,2.

A apresentação da 17ª edição do IEF foi realizada pelo presidente do Ipea, Marcio Pochmann, no Escritório Regional da Presidência da República em São Paulo. Ele apontou três fatores que levaram ao encerramento de 2011 com maior otimismo por parte das famílias. “Essa elevação deve-se ao reconhecimento, por parte dos consultados, de que há melhor expectativa no mercado de trabalho e sobre a ampliação da renda, associada a indicadores de aumento do salário mínimo e previsões de redução das taxas de juros. Por fim, outro ponto importante é a redução do grau de endividamento”, explicou Pochmann.

A constatação de que as famílias brasileiras consideram-se menos endividadas parte de uma das perguntas direcionadas, pelo IEF, a moradores de 3.810 domicílios distribuídos por mais de 200 municípios em todas as unidades da federação. Em dezembro, 56,1% das famílias entrevistadas disseram não ter dívidas em relação à renda mensal, um aumento na comparação com novembro, quando o registro foi de 55,6% de consultados na mesma situação.

O destaque nesse item foi o Centro-Oeste, onde não houve famílias que se considerassem “muito endividadas”. Na região Nordeste, 14,6% das famílias classificaram-se como “muito endividadas”. “Desde agosto assistimos a uma trajetória de redução de famílias que tinham dívidas. O segundo semestre de 2011 foi o momento em que as famílias procuraram sair do endividamento. Em dezembro, provavelmente usaram o 13º salário ou o fato de haver mais de uma pessoa com renda na família para pagar dividas contraídas”, afirmou o presidente do Ipea.

Situação financeira
A maior parte dos entrevistados também acredita que está em situação melhor que há um ano: 78,2%. Nesse item, novamente o Centro-Oeste aparece com maior otimismo (88,1%), enquanto o Nordeste apresenta o maior pessimismo (21,4%). Quando a pergunta é sobre a expectativa para a situação financeira familiar daqui a um ano, o Norte mostra-se mais animado, com 94,3% esperando dias melhores. Já no Nordeste, 10,8% acham que estarão em um momento pior.

Em relação ao futuro da economia brasileira, 64,4% disseram crer em uma situação melhor daqui a um ano, e 60,2% afirmaram o mesmo sobre os próximos 5 anos. O IEF traz, ainda, as impressões das famílias sobre o momento para consumir bens de maior valor e opiniões relativas ao mercado de trabalho. A análise também é feita de acordo com a escolaridade e o nível de renda dos entrevistados. O Índice de Expectativas das Famílias utiliza o método de amostragem probabilística para garantir ma margem de erro de 5%, com um nível de significância de 95% para o Brasil e para as cinco grandes regiões.

 Leia a íntegra do Índice de Expectativas das Famílias de dezembro

Veja os slides da apresentação do IEF de dezembro

Fonte: IPEA

DIEESE: Política de Valorização do Salário Mínimo: Considerações sobre o valor a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2012. http://www.dieese.org.br/notatecnica/notatec106PoliticaSalarioMinimo.pdf 

 
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Publicado por em 06/01/2012 em Uncategorized

 

CTB no Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia

Por Divanilton Pereira *

16/12/2011

Na quinta-feira (5/12), instalou-se em Brasília, no Itamaraty, o Conselho Nacional da Ciência e Tecnologia. A solenidade de abertura foi feita pelo vice-presidente da República, que representando a presidenta Dilma Rousseff, enalteceu o aspecto estratégico da ciência, tecnologia e inovação para o novo momento vivido pelo país.

Destacou que a composição do atual conselho – representações das centrais sindicais (se fizeram presentes a CTB e a UGT), Ministros de Estado, acadêmicos, especialistas, instituições afins públicas e privadas, além de empresários – haverá de viabilizar a consecução do planejamento estratégico a ser aprovado por esse conselho. A CTB está representada nessa instância pelo companheiro petroleiro Divanilton Pereira.

Logo após a instalação do conselho, o Ministro do MCTI, Aloízio Mercadante, que conduziu a partir de então os trabalhos, apresentou a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2012-2015. Uma elaboração que levou em consideração os acúmulos anteriores e, sobretudo as recomendações do Livro Azul, síntese da IV CNTI.  Logo após submeteu-o à apreciação dos conselheiros.

Em nossa opinião, o documento é uma valiosa contribuição para o novo padrão de desenvolvimento que se faz necessário ao Brasil, e que tem na C, T & I um de seus eixos estruturantes, e que através dela buscará transformar o país numa potência científica e tecnológica. No atual contexto de crise mundial o país precisa dar um salto e introduzir-se na era do conhecimento e da informação, saindo das limitações de uma economia primarizada, exportadora de commodities atualmente com prevalência no Brasil. Esse plano estratégico mira nessa nova direção.

Após opiniões, sugestões e debates o plano foi aprovado contendo cinco desafios e objetivos a serem superados: a redução da defasagem científica e tecnológica do país frente aos grandes centros; expansão e consolidação da liderança nacional na economia da natureza; ampliação da sustentabilidade ambiental; consolidação de novo padrão de inserção internacional do Brasil e a superação da pobreza e redução das desigualdades regionais. Para obter esses resultados foram constituídos cinco eixos estruturantes e nove projetos prioritários.

Continua como grande desafio para viabilizar esse projeto o seu nível de financiamento, nele está previsto recursos de R$ 88bilhões entre 2011-2015. Nessa direção foi aprovado uma resolução para que todas as personalidades, instituições públicas e privadas com assento nesse conselho, encaminhem recomendações ao congresso nacional para que a legislação ali em debate não disperse os recursos oriundos dos royalties do pré-sal concentradamente entre municípios e estados, e que a nova lei possa fortalecer o fundo nacional soberano, viabilizando o novo padrão de desenvolvimento do país através dos quais a C, T & I se destaca.

Nessa estratégia nacional aprovada se apresentam alguns indicadores que repercutem direta e indiretamente sobre a classe trabalhadora, sobretudo para o aperfeiçoamento de sua formação e qualificação. Nessa direção fica ainda mais nítido que esse alcance tem haver com a redução da jornada de trabalho no Brasil. Esse tema com certeza iremos difundi-lo nessa nova arena de disputas.

O Conselho reunir-se-á a cada três meses e será constituído cinco comissões para que todos os conselheiros através delas desenvolvam seus temas afins.

oc_divaniltonpereira_thumb*Divanilton Pereira – Membro da Executiva Nacional da CTB e Conselheiro do CNCT

 
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Publicado por em 16/12/2011 em Uncategorized

 

Mercado de Trabalho no Brasil

Por Nivaldo Santana*

07/12/11

Um tema importante e pouco debatido é o estudo do mercado de trabalho no Brasil. Recente estudo do Dieese aponta que o mercado de trabalho no país é bastante heterogêneo, com grandes variações de remuneração, condição de trabalho e proteção social.

Esse estudo indica alguns tipos precários de relações de trabalho: 1) empregos com carteira mal remunerados; 2) empregos sem carteira; 3) desemprego; 4) pequeno comércio de rua; 5) cooperativas; 6) empregos temporários; 7) terceirizados e 8) clandestinos ou ilícitos.

O problema desse amplo e diferenciado espectro de relações de trabalho é que a legislação brasileira que trata dos direitos sociais se estrutura principalmente a partir dos trabalhadores assalariados. E o contigente sem carteira assinada, segundo o IPEA, é de 15,3 milhões de trabalhadores, 28,2% dos empregados (dados de 2011*)

Ocorre que mesmo no mercado formal de trabalho a situação não é boa. O Ministério do Trabalho produz mensalmente estatística sobre os empregos com carteira assinada e desemprego (Caged – Cadastro Geral de Emprego e Desemprego).

Pelo Caged fica-se sabendo que a grande maioria dos empregos criados com carteira assinada se concentra na faixa até dois salários mínimo (saldo de 1,92 milhões de janeiro a setembro deste ano). Empregos acima de dois mínimos, no mesmo período, tiveram saldo negativo de 140 mil empregos.

Tudo isso mostra que o país tem um longo caminho a percorrer para ter um mercado de trabalho robusto, qualificado e bem remunerado. Apesar de ter gerado 17.626.016 empregos formais de janeiro de 2003 a outubro de 2011 e manter baixas taxas de desemprego, há um preocupante nivelamento por baixo nos salários praticados no Brasil.

A política de valorização permanente do salário mínimo, aprovada no governo Dilma, dá sequência a uma das mais importantes vitórias dos trabalhadores brasileiros de recuperação salarial. No entanto, devido a gigantesca rotatividade em curso no país, o patronato procurar driblar essa conquista.

O professor de Economia da Unicamp, Cláudio Dedecca, afirma, com razão,  que as empresas demitem quem ganha mais e contrata trabalhadores com salários menores para não arcar com os custos da elevação do salário mínimo (e também para fugir dos aumentos reais alcançados nas convenções e acordos coletivos).

Essa matéria é central quando se discute os rumos do desenvolvimento do país. O Brasil reclama por um pacto desenvolvimentista entre o trabalho e o setor produtivo contra os ganhos exacerbados do setor financeiro. Mas é necessário dar principalidade à questão do trabalho de qualidade.

O movimento sindical brasileiro precisa descortinar novas estratégias para enfrentar um mercado de trabalho complexo, onde coexistem relações formais e informais com fronteiras não muito nítidas. Além disso, deve colocar no topo da agenda a luta por trabalho de qualidade e bem remunerado.

(*) dado atualizado
oc_nivaldo_santanaNivaldo Santana é vice-presidente da CTB

 
 
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Publicado por em 15/12/2011 em Uncategorized

 

O enigma da crise europeia e o sócio-metabolismo da barbárie

Por Giovanni Alves*

Dezembro de 2011

A crise financeira de 2008 e seus desdobramentos nas crises das dívidas soberanas dos EUA e União Européia em 2011, tornaram-se meio privilegiado de afirmação daquilo que István Meszáros denominou a “grave tendência socioeconômica da equalização descendente da taxa de exploração diferencial”. Na verdade, a crise das dívidas soberanas tornou-se o “cavalo de Tróia” capaz de destruir efetivamente o Estado social no núcleo orgânico do pólo desenvolvido do capitalismo global. Os mercados financeiros impõem o ajuste neoliberal na União Européia. O Estado de Bem-estar social deve se transformar em Estado de Austeridade Social sob direção da disciplina fiscal a serviço dos interesses do capital financeiro globalizado.

Na verdade, sob pressão da concorrência internacional, principalmente com a entrada da China no mercado mundial, e da massa de capital concentrado liberalizado pelas políticas de desregulamentação financeira, operou-se o movimento de redução dos direitos dos trabalhadores assalariados conquistados na era de ouro do capitalismo.

A tendência geral de equalização descendente da taxa de exploração diferencial é um dos traços estruturais da nova dinâmica da economia global nas condições da crise estrutural do capital. As políticas neoliberais, conduzidas tanto por governos da esquerda social-democrata, quanto governos da direita neoliberal no começo da década de 1980, contribuíram para a dominância do capital financeiro no centro orgânico do sistema mundial do capital nos últimos trinta anos – os “trinta anos perversos” em contraposição aos “trinta gloriosos” do pós-guerra.
Ao desmontarem as estruturas sociais e políticas do anti-valor, construídas no pós-guerra sob o nome de Welfare State, o neoliberalismo ativou a lei do valor no plano do mercado mundial. A dominância do capital financeiro e seus espasmos especulativos tornou-se o veículo propício para a afirmação da tendência geral de equalização descendente da taxa de exploração diferencial, impulsionando, deste modo, com vigor, a precarização estrutural do trabalho sob o mito da flexibilidade.

As crises financeiras que ocorrem, principalmente a partir de 1990, por conta da financeirizaçõa da riqueza capitalista e da hegemonia do capital financeiro no processo de acumulação de riqueza fictícia, e as políticas de austeridade neoliberal baseadas na flexibilização do estatuto salarial e desmonte do Estado social, tornaram-se meios privilegiados para afirmar, no plano do mercado mundial, a grave tendência de equalização descendente da taxa de exploração diferencial. É a vigência desta tendência estrutural que explica, portanto, a ampliação do desemprego de massa e a precariedade laboral nos EUA e na União Européia, pelo menos nos últimos trinta anos.

Como tendência estrutural do sistema global do capital, a equalização descendente das taxas de exploração diferencial impulsiona a corrosão irremediável, lenta e persistente, dos pilares sociais do capitalismo europeu, principalmente nos países da Europa mediterrânea, com posição em desvantagem no plano da concorrência mundial. Ela tende a acelerar, por exemplo, o débâcle do Estado social europeu que inspirou no pós-guerra, as forças políticas e sociais que cultivam o ideal da social-democracia baseada na crença de conciliação entre capitalismo e bem-estar social.

O débâcle do capitalismo social-democrata com a crença ilusória do capitalismo ético ou capitalismo social capaz de realizar as promessas civilizatórias, tornou-se cada vez mais explícito na medida em que o movimento do capital sob hegemonia financeira corroeu as bases materiais que sustentaram a ilusão social-democrata e corrompeu os próprios partidos socialistas e sociais-democratas e sua intelectualidade orgânica, inseridos na defesa intransigente da ordem burguesa liberal-democrática.

Podemos discriminar como pilares do modelo social europeu construído na etapa de ascensão histórica do capital (1) a disseminação do consumo de massa; (2) a presença do sistema de seguridade social e (3) a democracia representativa como sistema (e ideologia) de legitimidade política da ordem burguesa.

O tripé do capitalismo social se constituiu na Europa Ocidental no período imediato do pós-guerra nas condições de ascensão histórica do capital sob a vigência de um determinado “equilíbrio de força entre as classes”, baseado, por um lado, na presença de sindicatos de massa e partidos social-democratas e comunistas com base operária e de “classe média” assalariada, legitimando as “regras do jogo” democrático liberal; e, por outro lado, a conjuntura geopolítica singular da “guerra fria” entre EUA e URSS com ameaça perene do comunismo soviético.

Deste modo, a ordem burguesa hegemônica na Europa Ocidental do pós-guerra se constituiu como Estado do bem-estar social no interior do “círculo virtuoso” da acumulação de capital baseado no compromisso fordista-keynesiano, com a presença de organizações sindicais e políticas da esquerda social-democrata e comunista organizadas na defesa do consumo de massa e do sistema de seguridade social, aceitando as regras do jogo democrático representativo sob o contra-peso da ordem internacional bipolar sob ameaça do poder soviético.

Este “equilíbrio de forças de classe” consolidou na Europa Ocidental, de 1946 a 1976, os pilares da ilusão social-democrata baseado na crença da sustentabilidade civilizatória do capitalismo. Ao mesmo tempo, contribuiu para a ascensão da social-democracia como força política hegemônica baseada numa perspectiva de “classe média” assalariada. Na verdade, o projeto de construção social europeu paralisou-se na perspectiva do em-si da classe, seduzida pelo consumo de massa e fetichismo da mercadoria.

O modelo social europeu tornou-se modelo político da ideologia da concertação social disseminada nos países do capitalismo em desenvolvimento. A elevação do padrão de vida social europeu no pós-guerra sob os auspícios do capitalismo social-democrata tornou-se a prova irrefutável da possibilidade histórica de conciliar capitalismo e bem-estar social, levando, deste modo, a maior parte da intelectualidade europeia de “classe média” a renunciar à perspectiva crítica do capitalismo e a necessidade histórica da luta de classes.

Entretanto, na medida em que as contradições internas da acumulação fordista-keynesiana conduziram à crise estrutural do capital em meados da década de 1970, e ocorreu o desenvolvimento da mundialização do capital predominantemente financeirizada, ocorreu, no plano da objetividade do capital, um processo de corrosão paulatina dos pilares da ordem burguesa social-democrata europeia (consumo, seguridade social e democracia).

Com a crise estrutural do capital em 1973, emerge a mundialização do capital sob dominância financeira. De 1973 a 1980 temos um período de intensa luta de classe no centro orgânico do sistema mundial do capital. A década de 1970 caracteriza-se pela ruptura do equilíbrio de forças entre as classes no interior dos países capitalistas que garantiram o compromisso social-democrata. Intensifica-se a ofensiva do capital na produção visando destruir as bases sindicais operárias e a vitória das forças políticas conservadoras, primeiro na Inglaterra (com Margareth Thatcher) e depois nos EUA (com Ronald Reagan), impulsionam a adoção de políticas neoliberais que iriam se consolidar no decorrer da década de 1980.

A hegemonia neoliberal na década de 1980 produziu irremediavelmente a corrupção e declínio da social-democracia europeia, lastro político do capitalismo social. Ele iria se intensificar a partir de 1990 com o débâcle do arco geopolítico constituído no pós-guerra imediato: a queda do Muro de Berlim em 1989 e a implosão da URSS em 1991 aprofundariam os impasses estruturais da ordem burguesa europeia constituída sob o Estado social.

Se, de 1946 a 1973, com a etapa de ascensão histórica do capital, presenciamos a metamorfose da social-democracia, transformando-se numa força política de preservação da ordem burguesa imperial com hegemonia na “classe média” assalariada, a partir de 1980, na etapa de crise estrutural do capital, assistimos à corrupção e declínio ideológico dos partidos social-democratas que, nas condições da acumulação fordista exerciam o contrapeso à voracidade do capital no pólo europeu mais desenvolvido. Por outro lado, os partidos comunistas vêem a corrosão das bases operárias e da identidade de classe por conta da ofensiva do capital na produção e o poder da ideologia com a vigência do capitalismo manipulatário.

Deste modo, presenciamos com vigor, principalmente a partir de 1980, a intensificação e amplitude, na Europa Ocidental, da ofensiva do capital nas várias instâncias da economia (financeirização), política (neoliberalismo) e ideologia (pós-modernismo e neopositivismo), conduzindo a corrosão das bases sociais e políticas de defesa dos interesses da classe operária em-si.

A corrupção ideológica (e política) dos partidos socialistas e social-democratas inseridos na ordem burguesa sob crise estrutural foi tão-somente um dos elementos compositivos do processo mais amplo de reestruturação capitalista conservadora que ocorreu a partir de 1980. Por exemplo, no plano social, a ideologia do consumo de massa com o fetichismo da mercadoria, sedimentado na expansão capitalista do pós-guerra, contribuiu para a cegueira ideológica dos “estratos médios” do proletariado organizado – a “classe média” assalariada – e seus intelectuais orgânicos comprometidos com os ideais social-democratas.

Na medida em que se opera, no plano do pensamento, a disseminação da ideologia do pós-modernismo e do neopositivismo, assiste-se, no pólo intelectual mais desenvolvido do Ocidente, a perda da capacidade crítica de amplos estratos da intelectualidade europeia, que incorporam como horizonte estratégico único, a defesa da ordem burguesa europeia baseada nos pilares de consumo de massa, seguridade social e democracia representativa de cariz liberal.

Finalmente, com a queda do Muro de Berlim em 1989 e a implosão da URSS em 1991, assistimos à derrocada do arco geopolítico que propiciou, como contrapeso à voracidade do capital no plano das relações internacionais, a construção do Estado social social europeu. Alterou-se efetivamente o equilíbrio de forças de classe que garantiu o compromisso fordista do pós-guerra na Europa Ocidental e a construção do capitalismo social-democrata. Eliminou-se o contrapeso ideológico que operava como legitimador geopolítico do Estado social europeu. Por outro lado, impulsionou-se, para um novo patamar – com a unificação alemã – a construção da União Europeia sob hegemonia neoliberal.

Portanto, a partir de 1990, com o fim da Guerra fria, surgem novas oportunidades para a absorção do capital monetário excedentário. Por conta da queda da lucratividade das corporações industriais, acirra-se, naquele momento, a concorrência no plano mundial. Ao mesmo tempo, aumenta a instabilidade sistêmica da economia global em virtude da financeirização da riqueza capitalista. A mundialização financeira origina-se do crescimento da liquidez excedentária no centro capitalista onde se constata uma massa monetária cada vez maior a procura de algo lucrativo em que investir.

A tendência para a financeirização, que se põe com vigor na década de 1980, expõe de forma candente, o problema da absorção de excedentes de capital como o problema crucial do capitalismo global (como salientou David Harvey no seu livro O enigma do capital, que a Boitempo acaba de lançar no Brasil). A aceleração histórica da integração europeia sob dominância neoliberal na década de 1990, com a vigência da União Européia com uma moeda única (o Euro), ocorre no interior do capitalismo global com dominância financeira, visando reconfigurar territórios de investimentos sob hegemonia do capital franco-alemão. Na verdade, a aceleração histórica das políticas de integração regional a partir de 1990 – União Européia, Nafta, MERCOSUL etc. – visam criar escoadouros lucrativos para a operação das massas monetária excedentária do capital financeiro global.

No caso da União Européia ela tornou-se projeto do protagonismo da burguesia financeira europeia sob hegemonia franco-alemã num cenário de reconfiguração radical da concorrência intercapitalista global com a entrada da China no mercado mundial. Na verdade, a ascensão do China no cenário da concorrência capitalista promoveu alterações tectônicas da concorrência capitalista global com impactos na divisão internacional do trabalho. Ela alterou o mapa da atividade produtiva e da acumulação de riqueza mundial.

Deste modo, de 1991 a 2011, em virtude da reconfiguração do capitalismo global sob dominância neoliberal, assistimos no núcleo orgânico do sistema mundial do capital, uma nova escalada de ofensiva do capital que – no plano do capitalismo europeu – conduziu a corrosão irremediável dos pilares do modelo social europeu construídos no período de ascensão histórica do capital.

A mundialização do capital sob dominância financeira e o novo cenário geopolítico a partir do débâcle do sistema soviético, corroeu irremediavlemente a materialidade do anti-valor, com a social-democracia, por exemplo, aproximando-se cada vez mais do centro conservador neoliberal, visando disputar com ele, o eleitorado de “classe média” assalariada “capturado” pelos valores-fetiches e expectativas de mercado da ordem burguesa hipertardia.
Na medida em que alterou-se, a favor do capital, o equilíbrio de forças entre as classes, tanto no plano nacional, quanto no plano internacional, opera-se com vigor a tendência de equalização descendente das taxas de exploração diferencial. De 1991 a 2011, mesmo nos breves períodos de crescimento das economias capitalistas europeias, conduzido pela indústria do endividamento público, torna-se perceptível a persistência da mancha de precarização do trabalho, não apenas com taxas inerciais de desemprego total, mas com o surgimento da nova precariedade salarial.

A introdução da moeda única (o Euro) sob a dominância neoliberal contribuiu para acelerar a derrocada do modelo social europeu, principalmente nos países da Europa mediterrânea com economias frágeis no cenário de competitividade interna da União Europeia. A crise financeira de 2008 que se origina dos EUA – o pólo mais desenvolvido do capitalismo neoliberal e seu desdobramento com a crise das dividas soberanas europeias, cumpre a função histórica de realizar por meio da austeridade neoliberal imposta pela troika – FMI, BCE e Comissão Européia – a necessária equalização descendente das taxas de exploração diferencial no plano do mercado mundial, preservando, deste modo, o projeto da União Européia como construção hegemônica da grande burguesia financeira franco-alemã.

Eis portanto, o desvelamento do enigma da crise europeia: a crise financeira da Zona do Euro e as medidas de austeridade neoliberal impostas pela troika (BCE, CE e FMI) na borda periférica da União Europeia possuem como função histórica, a reprodução da ordem burguesa europeia sob dominância financeira no plano mundial, sepultando de vez as promessas civilizatórias oriundas da fase de ascensão histórica do capital.

Na crise financeira de 2008, tanto nos EUA, quanto na União Europeia, os governos conservadores ou socialistas, correram para socorrer os bancos, mesmo que isso significasse comprometer o fundo público. Na verdade, ocorreu, neste momento, uma das mais impressionantes transferências de riquezas do fundo público para o capital financeiro. O colapso do mercado de crédito expôs a derrocada dos fundos públicos nos países capitalistas europeus mais frágeis no plano da competitividade internacional. A crise da dívida soberana sob a gestão das agências de rating, acelerou na borda periférica da União Europeia, o programa de desmonte irremediável do Estado social por meio da austeridade neoliberal.

A derrocada do consumo de massa atingiu, nesses países, o amplo contingente de desempregados e trabalhadores assalariados precários, conjunto social que cresceu nos últimos vinte anos, e principalmente amplos contingentes da “classe média” assalariada vinculada a função pública sob ameaça da programática neoliberal; a corrosão da seguridade social em virtude da restrição orçamentária a título de pagamento da impagável dívida pública expõe a ampla parcela de trabalhadores assalariados desempregados – e precários – a nova pobreza urbana; e a desmistificação da democracia representativa como ditadura do capital.

É no contexto de crise social e crise de legitimidade política da democracia liberal representativa, com altos índices de abstenções nas eleições parlamentares, que surgem movimentos sociais de “indignados” que contestam a nova ordem burguesa hipertardia. Deste modo, as políticas de austeridade neoliberal é o canto de cisne dos pilares do modelo social europeu, com a derrocada do tripé consumo de massa, seguridade social e democracia representativa.

Eis o cenário da barbárie social que caracteriza o capitalismo histórico em sua fase de crise estrutural do capital. A barbárie social caracteriza-se pela vigência candente das contradições sociais do sistema mundial do capital com a intensificação e ampliação do estranhamento social, isto é, a contradição insana entre o desenvolvimento das forças produtivas e, portanto, o desenvolvimento da capacidade humana, e o desenvolvimento da personalidade humana.
Na época da barbárie social, o desenvolvimento da capacidade humana que se manifesta no desenvolvimento espetacular das forças produtivas do trabalho social, tende a potencializar tão-somente capacidades singulares, desfigurando, aviltando etc. a personalidade do homem-que-trabalha.

A restrição do consumo, com a crise da “classe média” assalariada, o corte da seguridade social e crise da democracia representativa apontam para limites estruturais da ordem social-democrata europeia. A crise de credibilidade da democracia política burguesa aprofunda-se na medida em que não força alternativas ao esvaziamento do projeto reformista.

*Doutor em ciências sociais pela Unicamp, livre-docente em sociologia e professor da Unesp. É autor de vários livros e sobre o tema trabalho e sociabilidade, entre os quais O novo (e precário) mundo do trabalho: reestruturação produtiva e crise do sindicalismo (Boitempo Editorial, 2000) e Trabalho e subjetividade: O espírito do toyotismo na era do capitalismo manipulatório (Boitempo Editorial, 2011).

Fonte: Blog da Boitempo

 
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Publicado por em 12/12/2011 em Uncategorized

 

Stiglitz: “A Europa e o euro caminham para o suicídio”

Em entrevista ao jornal Página/12, o Prêmio Nobel de Economia 2001, Joseph Stiglitz, analisa a evolução da crise na zona do euro e afirma categoricamente: os dirigentes europeus não aprenderam nada com a experiência da Argentina. “A Europa e o euro caminham para o abismo”. Para Stiglitz, o esquema que a Alemanha está impondo ao resto da Europa vai conduzir à mesma experiência desastrosa que a Argentina teve com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Tomás Lukin y Javier Lewkowicz – Página/12

Joseph Stiglitz é um militante contra as receitas de ajuste fiscal que propõem uma “desvalorização interna” pela via da diminuição de salários e da submissão dos devedores aos credores. Anos atrás, a Argentina padeceu esses males como nenhum outro país, situação que conseguiu superar a partir da aplicação de um conjunto de políticas econômicas de sinal oposto, como a recomposição da competitividade a partir de uma forte desvalorização, compensada com a expansão do gasto público e política de renda ao estilo keynesiano, e uma forte reestruturação da dívida externa que repartiu os custos da quebra.

Por isso, Stiglitz se tornou um defensor do modelo argentino. “Nos anos 90, foi o FMI que orientou a Argentina a aplicar as políticas de austeridade, com resultados desastrosos. Na Zona Euro não aprenderam a lição. Agora de novo, a Europa deveria prestar atenção ao crescimento argentino, que mostra que há vida depois da quebra”, explicou em uma conversa exclusiva com o jornal Página/12.

A primeira hora da manhã, um pouco antes de partir para o Chile, o Prêmio Nobel de Economia 2001, enquanto saboreava um abundante café da manhã americano ao ar livre com pão, ovos, bacon e frutas, abordou em profundidade a crise do euro, as saídas possíveis para as economias mais débeis, a incapacidade dos governos de Alemanha e França e das novas administrações de corte “tecnocrata” que surgiram na Itália e na Grécia. Stiglitz lembrou a reportagem que o Página/12 fez, em agosto, na cidade alemã de Lindau, onde ocorreu a conferência mundial de Prêmios Nobel de Economia. Admitiu que, em relação com aquela conversa, sua percepção a respeito da crise europeia tornou-se mais negativa. “A Europa e o euro caminham para o suicídio”, resumiu. Ele recomendou que a Grécia abandone a moeda comum.

Ele também destacou a relativa relevância do contexto internacional favorável para explicar o desemprenho econômico argentino, referiu-se à inflação e ao giro de rendimentos das multinacionais. Esta semana Stiglitz reuniu-se com a presidenta, Cristina Fernández. “Tanto Néstor, quando tive a oportunidade de conhecê-lo, como Cristina, me pareceram duas pessoas muito interessantes. Ainda que ela seja mais passional”, relatou.

Você menciona que a “Argentina desta vez está fazendo melhor”. Qual a explicação para o bom desempenho da economia nacional e de outros países emergentes?

Na Argentina, o fim do regime da convertibilidade e a quebra geraram um alto custo e um intenso período de queda. Logo depois a economia começou a crescer muito rápido, inclusive na ausência daquilo que muita gente considera ser as “melhores” práticas econômicas. Creio que a Argentina, o Brasil e a China adotaram políticas macroeconômicas muito boas, ao aplicar estímulos keynesianos bem desenhados, para alavancar a economia, diversificá-la e melhorar a situação do mercado de trabalho. Além disso, as regulações bancárias em muitos países em desenvolvimento são de melhor qualidade que as dos Estados Unidos e Europa. Em alguns casos, isso se deveu a que esses países já tinham atravessado grandes crises.

Qual o papel do contexto internacional favorável neste processo?

Vocês se beneficiaram do contínuo crescimento econômico da China. Neste sentido, pode-se dizer que tiveram sorte.

Refere-se ao chamado “vento de popa”?

Sim, mas para explicar o resultado final sem dúvida é preciso mais do que isso. A Argentina manteve o fluxo de crédito, desvalorizou sua moeda e impulsionou o investimento em saúde e educação. Também foi importante o crescimento do Brasil. Um fator fundamental, com certeza, foi a reestruturação da dívida, que de fato pode servir como guia em outros processos similares que estão ocorrendo agora na Europa. Essas políticas aplicadas, em conjunto, permitiram ao país começar a melhorar a elevada desigualdade de renda.

O superávit em conta corrente se reduz à medida que a economia cresce. Um fator que gera uma importante perda de divisas é a remessa de lucros e dividendos das empresas multinacionais. O que a Argentina poderia fazer para enfrentar essa tensão?

Os lucros de algumas empresas tem origem em rendas de tipo monopolista, por causa da falta de competição. Para atacar isso, é preciso introduzir competição, de forma que a magnitude dessas rendas cais. Abrir os mercados pode gerar fortes retornos sociais. Provavelmente alguns dos problemas poderiam ser solucionados com mais competição. Depende muito do setor.

Em que medida os tratados bilaterais de investimentos que a Argentina assinou reduzem a margem de ação para regular as multinacionais?

Muitas ações que podem ser tomadas em termos de regulação podem terminar em demandas judiciais, argumentando que foram introduzidas mudanças nos termos do contrato. É preciso sair desses acordos e, além disso, lutar nas cortes especializadas. A política econômica não deve ser ditada por esses convênios.

A CRISE EUROPEIA

Por que a crise se instalou na Europa e não se vislumbra uma saída?

Creio que o problema fundamental é que a concepção geral da União Europeia foi errada. O Tratado de Maastricht estabeleceu que os países deveriam manter déficits baixos e uma proporção reduzida da dívida em relação ao PIB. Os líderes da UE pensaram que isso seria suficiente para fazer o euro funcionar. No entanto, Espanha e Irlanda tinham superávit antes da crise e uma boa proporção de dívida em relação ao PIB e, mesmo assim, estão com problemas. Alguém poderia pensar que, em função dos acontecimentos recentes, a UE teria se dado conta de que essas regras não eram suficientes. Mas seus líderes não aprenderam isso

A que se refere?

Agora propõem o que chamam de uma “união fiscal”, que, na verdade, é só a imposição de maior austeridade. Reclamar austeridade agora é uma forma de assegurar-se que as economias colapsem. Creio que o esquema que a Alemanha está impondo ao resto da Europa vai conduzir à mesma experiência que a Argentina teve com o FMI, com austeridade, PIB caindo, magras receitas fiscais e, por isso, a suposta necessidade de reduzir mais o déficit. Isso gera uma queda em espiral, que conduz a mais desemprego, pobreza e aprofunda as desigualdades. O déficit fiscal não foi a origem da crise, mas sim foi a crise que acabou gerando o déficit fiscal.

Que papel desempenha o Banco Central Europeu neste processo?

O BCE torna as coisas ainda mais complicadas, porque tem o mandato de preocupar-se somente com a inflação, quando, em troca, o crescimento, o desemprego e a estabilidade financeira importam muito mais agora. Além disso, o BCE não é democrático. Podem decidir políticas que não estão de acordo com o que os cidadãos querem. Basicamente, representa os interesses dos bancos, não regula o sistema financeiro de forma adequada e há uma atitude de estímulo aos CDS (Credit Default Swaps) que são instrumentos muito daninhos. Isso também é uma mostra que os bancos centrais não são independentes, mas sim são políticos.

Como explicar que Alemanha e França estejam empurrando os europeus para esse abismo?

Creio que eles querem fazer as coisas corretas, mas têm ideias econômicas erradas.

Estão errados ou, na verdade, representam interesses de determinados setores?

Creio que ambas as coisas. Por exemplo, é claro que estão colocando os lucros dos bancos acima das pessoas. Isso é claro para o caso do BCE, mas não creio que seja claro para Nicolas Darkozi ou Angela Merkel – presidente da França e chanceler de Alemanha, respectivamente. Creio que eles estão convencidos. Podem estar protegendo os bancos, mas o fazem porque acreditam que, se os bancos caem, a economia cairá. Por isso digo que tem um olhar errado, além do que não creio que estejam colocando os interesses dos gregos ou dos espanhóis no topo da agenda. Esse é outro problema, a falta de solidariedade. Eles dizem que não é uma “união de transferência de dinheiro”. De fato, o é, mas a transferência de dinheiro vai da Grécia para a Alemanha.

A união monetária é um problema em si mesmo?

Sim, é um problema. Não há suficiente similitude entre os países para que funcione. Com a união monetária eles ficaram sem um mecanismo de ajuste, como é a modificação dos tipos de câmbio. É como ter importo um padrão ouro nessa parte do mundo. Se tivessem um banco central com um mandato mais amplo que contemplasse, além da inflação, o crescimento e o desemprego, com uma cooperação fiscal real e assistência através das fronteiras, então seria concebível o funcionamento da união monetária, e ainda assim seria difícil. No atual esquema, pode funcionar, mas com um enorme sofrimento de muita gente.

Que análise você faz da aparição de governos tecnocráticos, como o de Mario Monti, na Itália, ou o de Lucas Papademus, na Grécia?

O principal problema é ter criado um marco econômico a partir do qual a democracia ficou subordinada aos mercados financeiros. É algo que Merkel sabe muito bem. As pessoas votam, mas se sentem chantageadas. Deveria se reformular o marco econômico para que as consequências de não seguir os mercados não sejam tão severas.

Em agosto, você disse que o euro não tinha que desaparecer. Qual é sua postura agora?

Naquele momento eu era mais otimista. Pensava que os líderes iam se dar conta de que o custo de dissolver o euro era muito alto. Mas desde aquele momento, a confrontação com o mercado piorou e a incapacidade dos governos europeus tornou-se evidente. Em lugar de aprender com os erros, estão repetindo-os. Creio que realmente querem sobreviver, mas demonstraram falta de entendimento de economia básica, o que me faz ter mais dúvidas.

É possível ter um euro a duas velocidades, como alguns economistas propõem?

Um euro a duas velocidades é uma das formas de ruptura do euro. Isso pode ser possível, a solução pode ser a criação de duas moedas com mais solidariedade entre elas. A moeda única contribuiu para o problema. Não era inevitável o estouro, mas aconteceu. Quando se reconhece que os mercados têm quotas de irracionalidade, talvez seja melhor manter mais autonomia monetária.

Você disse que a reestruturação da dívida é boa para as finanças públicas europeias e citou o exemplo da Argentina. Mas nosso país também desvalorizou. Acredita que a Grécia precisa adotar essa medida?

Essa é a pergunta fundamental. A Grécia vai ter que reestruturar sua dívida, isso é algo que todos aceitam agora, ao contrário do que ocorria há um ano. Se tivessem encaminhado as coisas de outra maneira há dois anos, a reestruturação poderia ter sido evitada. Em troca, impuseram a austeridade. Agora, a pergunta é: dada a reestruturação, isso será suficiente para recompor o crescimento econômico? Acredito que a resposta, para a Grécia, é não. A menos que tenham algum tipo de ajuda externa, inclusive depois da reestruturação, estarão sob um regime de austeridade. Por isso o PIB vai cair ainda mais. Não há competitividade e há duas maneiras de consegui-la.

Uma é através de uma desvalorização interna, mas se os salários caem, a demanda cai mais ainda e torna mais fraca a economia. Por outro lado, se a Grécia sai do euro e desvaloriza, a transição será difícil e complexa, mas uma vez que o processo tenha acabado, o fato de a Grécia fazer limite com a União Europeia será um impulso para a recuperação. Novos bancos se instalariam e haveria mais comércio.

Tradução: Katarina Peixoto
FONTE: Carta Maior

 
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Publicado por em 12/12/2011 em Uncategorized

 

A mídia golpista e o sindicalismo classista

Por Augusto Petta*

05/12/11

Quando cursei Ciências Sociais, no final da década de 60, várias frases de Marx me chamavam a atenção. Uma delas é a seguinte: “As idéias dominantes de uma época são as idéias das classes dominantes”. Seja em regimes ditatoriais ou democráticos, no sistema capitalista, as idéias burguesas têm hegemonia. Isto não quer dizer que as idéias do proletariado ficam totalmente massacradas e sem possibilidade alguma de manifestação. O que ocorre é que há uma luta ideológica e quanto mais a classe trabalhadora conquista espaço no terreno das idéias que expressam seus interesses , maiores as possibilidades de conquistar seu objetivo estratégico, o socialismo.

Por relações de parentesco e por acompanhar com interesse os fatos políticos mais relevantes que ocorrem em nosso país, acompanhei de perto o massacre midiático que atingiu brutalmente o ex-Ministro Orlando Silva. A mídia golpista, a serviço de interesses econômicos e políticos das forças dominantes, buscou atingir a reputação de uma liderança jovem que se firma cada vez mais no cenário político nacional. E depois de mentir, o policial que a mídia acolheu sem provas, declarou que realmente não tinha provas!

Como Marx tinha clarividência de que o capitalismo é intrinsecamente injusto – em função inclusive do processo de exploração baseada na mais-valia – atribuía ao sindicalismo, além da organização e mobilização dos trabalhadores, ser escola de socialismo. Nesse sentido, cabe à entidade sindical, desenvolver dialeticamente, a luta econômica, política e ideológica. Na verdade, o sindicato nasceu, no século XVIII, na Inglaterra, época da Revolução Industrial, para organizar os trabalhadores e trabalhadoras na luta por melhores condições de salário e trabalho. Posteriormente, já no século XIX, se envolveu em movimentos políticos, a exemplo do Cartismo que reivindicava que todos os cidadãos tivessem direito de votar e de ser votado, e que o voto fosse secreto. E ao desenvolver a luta econômica e a luta política, o sindicalismo envolveu-se na luta ideológica.

No momento atual, com o avanço tecnológico na comunicação, com a viabilidade de veículos que atingem instantaneamente milhões e milhões de seres humanos, a luta ideológica adquire importância fundamental. Os grandes veículos de comunicação atuam de acordo com os interesses dos que detêm o poder econômico. A mídia golpista atinge aqueles que se opõem a esses interesses inclusive as entidades sindicais. Basta verificarmos as matérias que são insistentemente publicadas a respeito do imposto sindical e das outras taxas que mantêm as atividades sindicais.

A grande questão que se coloca aos sindicalistas classistas é o que fazer diante desse ataques constantes da mídia. É necessário elevar o nível de consciência política dos trabalhadores e das trabalhadoras em geral, para que desenvolvam cada vez mais o senso crítico e a percepção de que a luta de classes está presente no embate político que se desenvolve. Hoje no Brasil, os setores reacionários que foram derrotados em 2002, 2006 e 2010 não resistem à comparação dos dados relativos às condições de vida da população brasileira. Evidentemente, os Governos Lula e Dilma são muito superiores aos Governos FHC. Por isso, mentem para enganar a classe trabalhadora; na medida que esta tiver nível de consciência política avançado, terá melhores condições para separar o joio do trigo, e de denunciar as inverdades da mídia.

oc_petta2Augusto Petta é professor, sociólogo, coordenador técnico do Centro de Estudos Sindicais (CES), membro da Comissão Sindical Nacional do PCdoB, ex- Presidente do SINPRO-Campinas e região, ex-Presidente da CONTEE.

 
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Publicado por em 08/12/2011 em Uncategorized

 
 
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